Rota dos Sete Lagos

Rota dos Sete Lagos: um roteiro completo

A Ruta de los Siete Lagos é um dos passeios mais lindos da Patagônia Argentina. Neste post, contamos tudo sobre este caminho natural que une bosques, lagos e montanhas.

Um dos trechos mais interessantes e peculiares da famosa RN40 é a Ruta de los Siete Lagos, um roteiro cheio de controvérsias. A primeira delas é a nomenclatura, dependendo da região ou publicação lançada encontramos nomes como Ruta de los 7 Lagos, Rota 7 Lagos, Camino de los Siete Lagos, Cruce 7 Lagos da Argentina, Rodovia dos 7 Lagos Argentinos ou até mesmo Caminho dos Sete Lagos.

A segunda controvérsia é que, na verdade, este pedaço com cerca de 110 Km da Ruta 40 (antiga Ruta Nacional 234) passa por 11 lagos no total. Melhor para nós, viajantes, sempre afoitos por surpresas e novas descobertas!

Como chegar

O roteiro contempla a conexão de dois povoados próximos a San Carlos de Bariloche na província de Neuquén, as cidades de San Martín de los Andes e Villa La Angostura. Para chegar à rota, você terá a opção de partir de qualquer uma destas cidades!

O trajeto pode ser feito de ônibus (sem opções de paradas para fotografia), de carro próprio ou alugado (Bariloche tem mais opções de empresas para aluguel de veículos) ou então com uma agência de turismo, que é a melhor opção para entender a história dos lagos e fazer paradas para fotografar.

Para quem desembarca em Bariloche, o mais interessante é começar por Villa La Angostura, uma cidade que vale muito a pena explorar devido às lindas paisagens e boas opções gastronômicas. Nós iniciamos o caminho pela charmosa San Martín de los Andes, depois de passarmos 3 dias explorando a região e o centro de esqui Cerro Chapelco. A estrada está em ótimas condições (2017), é toda asfaltada e muito bem sinalizada.

Rota dos Sete Lagos Sinalização

Lago Lácar

O primeiro lago que encontramos é o Lácar, um dos maiores atrativos de San Martín de los Andes, sobre o qual falamos um pouco mais neste post: comerdormirviajar.com/circuito-arrayan-e-casa-de-te-arrayan-em-san-martin-de-los-andes-argentina

Ao todo, o caminho não leva mais de 01:45 para ser completado. Entretanto, se você deseja fazer o roteiro de forma bem tranquila, com muitas paradas para fotografias ou gravação de vídeos, levará mais de 3 horas para chegar em Villa La Angostura. Prepare-se levando alguns lanchinhos e água já que não existem comércios durante o trajeto.

Melhor época para visitar

É seguro percorrer a Ruta de los Siete Lagos Argentina em qualquer época do ano. As paisagens mudam e o trajeto fica bem diferente para quem visita no verão ou no inverno. O clima predominante é frio, seco e ventoso nas quatro estações. No inverno, entre Junho e Setembro, a temperatura média dos dias dificilmente passa dos 9° C e, à noite, geralmente os termômetros apontam temperaturas em torno dos -10°C. Esta é a estação ideal para quem busca os famosos cenários cobertos de neve, mas é bom se preparar para chuvas que duram mais de um dia e nevascas constantes. Por isso, muita atenção se for dirigir com neve!

As estações climáticas intermediárias, Outono e Primavera, tem variações de temperaturas mais constantes e instáveis. Esta é a baixa temporada, portanto, os preços são melhores e as cidades estão quase vazias. As cores nesta fase do ano são incríveis, os bosques são avermelhados no outono e completamente floridos na primavera. É muito comum em meses como outubro ou abril amanhecer com lindos dias de sol e, no final da tarde, o tempo mudar completamente com a chegada de uma tempestade. O mês com maior incidência de chuva na região é Maio.

Nossa trip foi em agosto de 2017, todas as fotos desta matéria são da mesma viagem.

Rota dos Sete Lagos Viagem

Lago Machónico

O Lago Machónico tem águas de coloração azul escuro. Em uma das extremidades existe uma praia de areias claras onde os moradores da região passam os finais de semana no verão. É muito comum a prática de esportes neste lago, com constantes campeonatos de caiaque.

Lago Machónico

Passando o Lago Machónico, saímos do Parque Nacional Lanín e entramos no Parque Nacional Nahuel Huapi, a partir daqui a natureza se torna mais selvagem devido à distância entre a rota e as cidades.

Cascada Vilañanco

Nem só de lagos esta rota é feita, vários outros atrativos naturais nos convidam a uma parada para contemplação. Um deles é a Cascada Vuliñanco, uma cachoeira com queda de 35 metros e águas divididas por um enorme rochedo.

Cascada Vilananco

Lago Falkner

Este lago traz uma larga faixa de areia na sua face próxima à Ruta 40, uma pequena pousada às suas margens e um camping privado que abre durante o verão. O nome é uma homenagem que Perito Moreno fez ao Padre Tomás Falkner após a publicação de “Descrição da Patagônia e as partes contíguas da América do Sul”.

Lago Falkner

Cuidados e precauções

A Ruta de los Siete Lagos é cheia de curvas, por isso o recomendado é nunca dirigir acima de 60 Km por hora. Durante as estações de neve, sal de cozinha (cloreto de sódio) é jogado sobre as estradas para diminuir o ponto de congelamento da água. Desta forma, o gelo derrete e a estrada fica limpa por mais tempo. O problema é que o sal acaba atraindo os animais das fazendas próximas que ficam literalmente lambendo o asfalto. Este é mais um motivo para que se dirija bem devagar e prestando muita atenção!

Rota dos Sete Lagos Cuidados

Animais de estimação são proibidos nos parques nacionais (as “mascotas”, como são chamados por eles), incluindo todas as raças de cães, gatos e animais domésticos. A lei se justifica porque os animais estranhos a esta região, incluindo seus dejetos, alteram a fauna e a flora local.

Não há registros de animais venenosos que possam ameaçar a vida de um ser humano na Ruta de los Siete Lagos, como cobras, escorpiões ou aranhas peçonhentas. Também não é necessário o uso de repelentes, pois poucos insetos resistem ao frio da Patagônia.

Lago Villarino

Este lago é repleto de trutas e atrai muitos pescadores esportivos. Suas costas são cobertas por densas florestas andinas plenamente conservadas. A flora da região é muito rica e existem várias espécies de árvores no local, como coihues, lengas e arrayáns.

Lago Villarino

Lago Escondido

Cerca de 2 Km após o Lago Falkner, encontramos o Lago Escondido. A coloração da água deste lago é linda, de um verde intenso hipnotizante. O nome é perfeitamente justificado, já que fica difícil de observá-lo dos mirantes! 

Lago Escondido

As estradas vão seguindo e a vontade é de que o trajeto não acabe! Aqui conseguimos entender o porquê do desejo do ser humano de registrar de alguma forma as belezas naturais que encontra em seu caminho. Esta é uma necessidade ancestral nossa. Desde pinturas rupestres, passando pelas obras de arte até a fotografia e os vídeos em 360º, nosso desejo fundamental é preservar a memória de lugares como estes.

Lago Traful

Depois de andar em ziguezague por quase 10 Km chegamos ao Lago Traful e seu incrível espelho d’água. Atrás destas montanhas (cerca de 45 km de distância) fica a Villa Traful, uma ótima opção para quem deseja acampar.

Lago Traful

Rio Ruca Malen

Este rio é muito importante para manutenção e equilíbrio da região, ele recebe as águas transparentes do Lago Espejo Grande e transfere tranquilamente para o Lago Correntoso, cortando os bosques e montanhas da Ruta de los Siete Lagos.

Rio Ruca Malen

Lago Correntoso

Em mais um cenário de tirar o fôlego, conhecemos o lago Correntoso! Emoldurado por uma cadeia de montanhas, estas águas são as mais quentes entre os sete lagos, por isto os moradores de Villa La Angostura adoram frequentar o Balneario del Lago Correntoso em seus dias de folga no verão.

Lago Correntoso

Logo à frente cruzamos a divisa e entramos em Villa La Angostura, uma das cidades mais bonitas da Patagônia Argentina. Aqui tem opções turísticas para todos os gostos e bolsos.

Lago Espejo Grande

O Lago Espejo Grande é amplo e pode ser observado em vários mirantes ao decorrer da estrada. Em dias sem vento, o reflexo das montanhas e florestas ao seu redor são incríveis. Em um dos mirantes encontramos alguns vendedores de artesanato.

Lago Espejo Grande

Río Correntoso

Na chegada à Villa la Angostura cruzamos o famoso Río Correntoso. Considerado “o menor rio do mundo”, tem apenas 200 metros de comprimento e a função de conectar o Lago Correntoso ao Lago Nahuel Huapi.

Rio Correntoso

Lago Nahuel Huapi

Este lago não faz parte oficialmente da Ruta de los Siete Lagos, mas é um dos mais importantes da Patagônia Argentina. Seu nome significa “tigre dos rios” na língua indígena Mapuche e sua beleza é impressionante. As águas de tom azul intenso banham Villa la Angostura e San Carlos de Bariloche. Além disso, muitas ilhas são encontradas através de seus mais de 557 km².

Nahuel Huapi

Não deixe de incluir a Ruta de los Siete Lagos Argentina em seu roteiro pela Patagônia. Se você pretende viajar até Bariloche, reserve pelo menos um dia para conhecer este trajeto cênico e se encantar com a natureza exuberante desta região. Temos certeza de que você vai adorar!

O que usar

Na maior parte do inverno, o frio é realmente intenso na região dos Sete Lagos. A neve é frequente e comum em grande parte das cidades e os termômetros costumam registrar temperaturas negativas. Por isso, fiquei de olho nas previsões climáticas antes de escolher todos os itens que irão compor a sua mala de viagem!

Bota Rota dos Sete Lagos

Conforto e muito aquecimento são as palavras de ordem para quem vai curtir a natureza na Rota dos Sete Lagos. Neste caso, além de uma primeira camada de roupas térmicas, sugerimos um fleece meio zíper como segunda camada. Para a última camada, que tal a Parka Feminina Alpine  e Jaqueta Masculina 2 em 1 com forração em pluma de pato? Nos pés, a bota Chapelco para os homens e a bota Aspen para as mulheres, ambas forradas em lã e desenvolvidas em couro legítimo, certamente são ótimas indicações para a sua viagem. Ah, não esqueça dos acessórios, itens essenciais para sua proteção térmica! 

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